Óleo afeta banhistas

Banhistas são surpreendidos com pequenos fragmentos de óleo em praias do Nordeste.

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Charles Silva relata presença de óleo na Praia do Cupe (PE).

Banhistas que frequentam algumas praias do Nordeste estão sendo surpreendidos com manchas de óleo pelo corpo. Invisíveis a olho nu, fragmentos do material derramado grudaram no corpo de pessoas, segundo reportagem do Portal UOL.

Um dos casos ocorreu na paradisíaca Barra de São Miguel, litoral sul de Alagoas. Um casal de turistas foi à praia com duas crianças no sábado (11) e acabou deixando o local com manchas de óleo, especialmente na sola dos pés. O que chama a atenção é que a família não percebeu qualquer contaminação do ambiental.

“Não dá pra ver, mas o problema parece ser recorrente”, diz a turista, que pediu para não ter o nome revelado. “Quando a gente chegou no hotel já havia na recepção óleo de soja pronto para dar os hóspedes para que limpassem o óleo. Não houve qualquer informação antes sobre isso.” Ela mostrou uma foto do joelho sujo após apoiar-se na areia para brincar com os filhos.

O “óleo invisível” também foi percebido praia de Cupe, no município de Ipojuca, litoral sul do estado de Pernambuco. As águas claras convidaram a professora universitária Caroline Vieira Feitosa, 40, e o namorado, Charles Silva 45, para um mergulho junto com a família e sua cadela, em dezembro.

“Assim que entrei na água senti cheiro de óleo. Achei que estivesse impressionada. Mas ao retornar para o apartamento vi a cadela com manhas”, conta Caroline. “Achei que era carrapicho, mas ela estava cheia de piche. Olhei e vi que eu estava com piche nos pés, e meu namorado, na mão.”

Ela afirma que chegou a perceber pequenas partículas de óleo. “Tem muito fragmento de óleo em pedaços bem achatados, do tamanho de botão de roupa. Mas nem sempre são visíveis”, diz a professora, que também limpou o corpo com óleo de soja. “No caso da minha cachorra foi mais fácil cortar o pelo em algumas regiões”, conta.

Na Bahia, problema similar foi flagrado por uma banhista no dia 22 de dezembro, na praia de Cumuruxatiba, no município do Prado (BA), no sul baiano. Nas imagens, há pequenas manchas de óleo pelo corpo de uma banhista.

Segundo o último balanço do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis), do final de agosto até o dia 8 de janeiro de 2020, 997 localidades haviam sido afetadas em 130 municípios dos estados do Nordeste, além do Espírito Santo e do Rio de Janeiro.

Em dezembro, especialistas alertaram para a chegada do óleo no litoral nordestino ainda em pequenos fragmentos, especialmente nos estados de Alagoas, Sergipe e Bahia.