Mancha ameaça santuário

Mancha gigante de óleo surge em praia de Alagoas e ameaça santuário de peixe-boi.

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Divulgação / Ibama
Pedaços de óleo são encontrados em cerca de 200 metros da praia de Japaratinga.

Uma extensa mancha de óleo surgiu na madrugada da última quarta-feira (16), atingindo uma faixa de praia de aproximadamente 200 metros em Japaratinga, litoral norte de Alagoas.

Um sobrevoo feito pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis) revelou que há também vários pontos da praia com o material, inclusive próximo ao santuário do peixe-boi, em Porto de Pedras.

Segundo o chefe da Divisão Técnico-Ambiental do Ibama em Alagoas, Rivaldo Couto dos Santos Júnior, a mancha é a maior que surgiu no litoral alagoano desde o início da crise ambiental, no início de setembro.

“Estamos na maré baixa e grande parte do município de Japaratinga está manchado. Essa maior mancha deve ter uns 200 metros de extensão. Já estamos removendo, com várias pessoas ajudando, carregadeiras, caçambas. Vamos fazer o recolhimento”, disse em declaração ao site UOL.

As novas manchas também atingiram o município vizinho de Porto de Pedras, onde há um santuário do peixe-boi, espécie ameaçada de extinção. No local há um projeto de conservação para proteção do animal marinho.

O Instituto Biota informou que técnicos da ONG foram até o local para calcular o dano e analisar os prejuízos possíveis ao local da espécie protegida.

Segundo o mais recente balanço do Ibama, até ontem havia o registro de 167 praias contaminadas, em 72 municípios do Nordeste.

As manchas de petróleo têm aparecimento concentrado no norte da Bahia e no norte de Alagoas —com uma distância superior a 300 km entre os pontos dos novos surgimentos. Ontem, além da Alagoas, vestígios do óleo foram achados também em Jandaíra, no litoral norte baiano.

A força-tarefa federal enviou nota ontem à tarde informando que não havia registros de novos aparecimentos em um período de 24 horas, mas a situação mudou de forma brusca mais uma vez.

Para o oceanógrafo Flávio Lima, da UERN (Universidade Estadual do Rio Grande do Norte), há duas hipóteses para explicar o “retorno” do óleo a áreas que já tinham sido afetadas.

“Uma suspeita é que a fonte do óleo não cessou e estaria continuando a jorrar. Ou pode ser uma movimentação recludente das correntes oceânicas. Então o material pode estar sob efeito dessa movimentação, ou seja, pelo ciclo voltou a ser incidente em áreas já afetadas”, explica.

Fonte UOL