Os básicos do design

Edinho Leite dá uma visão geral sobre o que faz a prancha funcionar.

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Backdoor. Velocidade a onda já tem. Ali busca-se controle numa prancha que se encaixe na curva da onda, por isso há mais rocker, curva no outline e uma rabeta estreita na prancha usada por Jeremy Flores.

Antes que alguém saia gritando, sim, há muito mais na complexa equação sobre o que faz uma prancha funcionar da maneira que funciona. Mas, vamos falar sobre o básico.

Porque sua prancha desliza ou afunda? Quanto mais área de prancha entrar em contato com a água, como num longboard, por exemplo, mais rápida será a prancha, especialmente nas partes mais lentas e menos íngremes da onda. Quanto menos prancha entrar em contato com a água menos velocidade ela ganha.

Ryan Burch, surfista e shaper, sabe que o que faz uma prancha deslizar é a quantidade de superfície que está em contato com a água.
Em um long (esq.), de outline paralelo e pouco rocker no fundo, basta ficar em pé sobre a prancha. Ela anda sozinha / Esse modelo da SRS Surfboards (dir.) mostra a configuração moderna de outline com curva contínua.

Pranchas com outlines estreitos, pequenas e designs com curvatura de fundo tipo banana, tendem a não desenvolver velocidade. Por outro lado, mais manobráveis serão. O que se busca é o equilíbrio perfeito para o nosso nível de surfe, as ondas que queremos surfar e como queremos surfá-las.

Outline, o contorno da prancha. Um outline curvo ajudará a prancha a curvar, virar, mudar de direção mais rapidamente e vai se encaixar melhor nas partes mais cavadas e curvas da onda. Como você deve imaginar isso pode sacrificar a velocidade quando queremos nos projetar para frente, uma vez que a prancha não tem tanto contato com a onda como numa versão de outline mais paralelo.

Um contorno menos curvo, mais paralelo, ajudará a prancha a ir mais rápido porque ela estará mais em contato com a água, tendo assim mais superfície para planar sobre a mesma. Basta ver uma Mini Simmons ou fish clássica, de outline praticamente paralelo, em ação.

Formas de rabeta. Rabetas largas flutuam através de seções planas das ondas, mas podem ser mais difíceis de manobrar com as bordas. As rabetas de formas mais estreitas oferecem controle em altas velocidades. Pense nas guns de Jaws ou nas pranchas usadas nos tubos de Pipeline. Se usá-las numa onda gorda vai atolar. Há soluções pelo meio do caminho, como um round squash mais estreito, uma round pin ou swallow, mas todas obedecem o mesmo princípio.

O outline paralelo, pouco rocker e largura avantajada do bico à rabeta garantem velocidade. A prancha tem que ser curta, caso contrário ficaria muito difícil fazer curvas.

Quanto mais largas as rabetas melhor elas irão planar, porém, menos sensíveis serão. Menos largura e espessura na rabeta proporcionam mais controle.

Volume, espessura ou o quanto uma prancha flutua, ou não, tem muito mais a ver com seu poder de remada do que com a maneira que ela desliza numa onda, basta ver como são rápidas as alaias, praticamente sem flutuação alguma.

Basicamente é isso. O que já é muito. Entender o equilíbrio entre essas verdades da hidrodinâmica já pode ser uma grande ajuda para que você possa visualizar a prancha que deseja. Bom, está aí outro problema, sabermos realmente o que queremos frente à realidade que vivemos. Boa sorte a você e seu shaper.

A ideia desse modelo Xanadu é ter as vantagens de uma fish com o controle de uma rabeta mais estreita para facilitar as mudanças de direção.