Pranchas vão para reciclagem

Indústria de Santa Catarina transforma pranchas usadas e outros resíduos em materiais de construção.

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Willian Cardoso faz parte da equipe de atletas patrocinada pela marca catarinense Santa Luzia.

O que pranchas de surfe e rodapés têm em comum? Aparentemente, um não possui a menor relação com o outro, mas acredite: ambos podem ser fabricados a partir do mesmo material – o poliestireno expandido, um tipo de plástico conhecido pela sigla EPS ou popularmente pela marca Isopor.

As pranchas podem levar ainda na composição o poliuretano (PU), outro tipo de plástico de uso comum em refrigeração, pois a espuma deste material é isolante térmica.

A Indústria Santa Luzia, cuja matriz fica em Braço do Norte (SC), abdicou em 2002 da madeira como matéria-prima principal, substituindo-a em 98% justamente pelo reaproveitamento de plásticos como EPS e PU. Muitas pessoas não sabem, por exemplo, que o Isopor é um plástico 100% reciclável, deixando de separar o material para coleta seletiva. O destino, assim como outros tipos de resíduos, são infelizmente os lixões ou até pior: lagos, rios, mares e oceanos.

As ondas acabaram aproximando a empresa de grandes iniciativas ocupadas com a questão, algo cada vez mais evidente, como o alerta de que, até 2050, poderemos ter mais plásticos do que peixes nos oceanos. Desde de 2012 a empresa já faz parcerias com fabricantes de pranchas em vários estados no Brasil, recolhendo os resíduos plásticos da fabricação e os transformando em rodapés, guarnições, revestimentos e ornamentos.

A novidade em 2018 foi se aproximar ainda mais do ambiente do surfe e das praias, por meio do patrocínio ao atleta catarinense Willian Cardoso e o desenvolvimento de ações de conscientização ambiental, como as realizadas no Rio de Janeiro junto à ONG Route Brasil e a parceria com a empresa Sustainable Outdoor Life (Soul), conhecido por suas pesquisas e conteúdos nessa área.

“A Santa Luzia recicla em média 600 toneladas de Isopor por mês, dando um novo destino a um material que não deve ser mais encarado como lixo”, explica Marcos Effting Zanette, CEO da Santa Luzia. “Precisamos quebrar a linearidade de pensamento onde a responsabilidade das empresas, por exemplo, terminaria quando o consumidor compra o produto. Um dos maiores desafios do século XXI é educar a sociedade no sentido de pessoas conscientes de suas atitudes e ações”, completa.

Conheça um pouco mais sobre a reciclagem de pranchas neste vídeo, com depoimentos exclusivos de Willian Cardoso e renomados shapers: