O homem do capacete

Owen Wright enfrenta traumas de grave lesão na cabeça e vence Tahiti Pro em ondas monstruosas em Teahupoo.

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Owen Wright usou capacete durante a maior parte do Tahiti Pro deste ano.

Com direito a nota 10 nas quartas de final e dois entre os cinco maiores somatórios de todo o evento, o australiano Owen Wright sagrou-se campeão do Tahiti Pro em grande estilo na última quarta-feira (28) em Teahupoo.

Aos 29 anos, o australiano competiu durante a maior parte do campeonato com um capacete, proteção que o deixou mais confortável no outside depois de uma grave lesão sofrida na cabeça em Pipeline no ano de 2015. Na ocasião, o Top teve uma concussão cerebral que quase encerrou sua carreira e o tirou do CT durante toda a temporada seguinte.

O golpe em Pipe e a lesão quase fatal foram tão duros que Wright admite que isso está sempre em sua cabeça quando dropa ondas traiçoeiras como Teahupoo. “Quatro anos atrás, desde aquele acidente, eu definitivamente sou um homem mais cuidadoso”, diz Wright à agência australiana AAP.

“Definitivamente, quando as ondas atingem esse tamanho, tomo todas as medidas possíveis de precaução. Essa opção de capacete realmente me tranquilizou o suficiente para que eu pudesse ver aquelas ondas enormes e pensar: ‘ok, eu tenho um capacete, posso fazer’. Isso me permitiu surfar com mais coragem. Para mim, foi uma verdadeira bênção”, completa o atleta, que em 2018 havia sido vice-campeão da etapa em ondas menores e sem a proteção.

Wright não foi o único a enfrentar as ondas cabulosas de Teahupo com proteção. O americano Sebastien Zietz vestiu capacete durante a bateria contra Michel Bourez, enquanto o wildcard Kauli Vaast usou o equipamento na virada sobre o então número 1 Kolohe Andino. Jeremy Flores, que em 2015 também sofreu uma grave pancada na cabeça na Indonésia, foi outro que também optou pelo capacete em Teahupoo.

Wright disse que lesões, como as que sofreu quatro anos atrás, estão deixando os surfistas conscientes em optar por mais segurança quando se trata de ondas perigosas.

“Esta é uma das ondas mais pavorosas que existem e leva apenas um momento para que tudo dê errado. Em Teahupoo, você realmente não tem controle quando leva um caldo. Não dá para se esconder ou algo assim. O capacete pode não parecer o mais legal, mas é definitivamente um salva-vidas”, finaliza o surfista, que com a vitória pulou para a oitava posição do ranking.