Emoções no canal de Teahupoo

Brasileiro Diego Maio fica na cara do gol e conta o que viu e sentiu durante o swell bombástico.

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Sábado foi um dia de fortes emoções em Teahupoo.

O sábado teve fortes emoções para todos os amantes do surfe. Um swell bomba explodiu em Teahupoo, Taiti, e todos puderam acompanhar a ação ao vivo pela internet. Pela tela, a emoção foi grande, mas, e do canal, bem ao lado das esquerdas gigantes e perfeitas?

Pra entendermos um pouco daquela energia contagiante, convidamos o brasileiro Diego Maio pra falar o que viu e sentiu. Diego está viajando pelo mundo há quatro anos a bordo do veleiro Unforgettable, e deu a sorte de estar em Teahupoo nesse momento histórico.

“Nós chegamos em Teahupoo na quarta-feira (14) e já se falava muito desse swell, que ele seria enorme. Na quarta, o mar estava pequeno e poucas pessoas estavam na água. Na quinta, as ondas foram crescendo com o passar do dia, e na sexta já estava grande e fomos lá conferir de perto a ação, com vários “pros” na água. Já foi a maior vibe ver os atletas ali. E todos seguiam falando que no sábado estaria gigante e que poderia rolar a triagem. A expectativa era acordar cedo e ir lá conferir.

Na sexta à noite, antes de dormir, o barulho do mar já estava muito forte, então já dava pra esperar que ia ter bomba rolando. Quando acordamos no sábado, tinha espuma pra todo lado na direção do palanque, e assim que deu, pegamos um barquinho e partimos pra lá.

Quando chegamos, tivemos que esfregar os olhos pra acreditar no que estávamos vendo. Fica muita gente no canal, e por mais que já tivéssemos visto milhares de imagens de Teahupoo, a vibe que fica ali, a energia naquele canal, naqueles barcos, naquela confusão, é sensacional, uma coisa de outro planeta.

Segundo Diego, a energia no canal de Teahupoo é coisa de outro planeta.

Foi ali, vendo de perto, que entendi a onda, porque aquele degrau que a onda forma não fazia muito sentido na minha cabeça. Mas agora tenho a noção perfeita de como aquela monstruosidade de água entra na bancada e cria aquele degrau e aquele braço que ela joga.

Lá, fica todo mundo na expectativa das séries, todos tensos, porque não pode dar mole com os barcos também. Assim que chegamos, vimos o Lucas Chumbo num botezinho, aí perguntamos por que ele não estava na água. Ele estava indignado! Isso porque ele tentou deixar o bote sozinho amarrado numa poita, mas, a cada vez que passava a série, o bote quase afundava. Então falamos pra ele ir que iríamos cuidar do bote pra ele. Lucas é um moleque muito sangue bom e foi irada essa troca com ele.

Logo que assumimos o bote do Lucas, rolou uma situação tensa. No canal, todo mundo fica com o motor ligado, com atenção constante por causa das séries. E aí veio uma gigante e a patrulha aquática começou a apitar. Estávamos meio desprevenidos e demorávamos a soltar o barco da poita. Aí, foi todo mundo embora, só nós ficamos e quase fomos engolidos por uma bomba! Mas, no fim, deu tudo certo, passamos por cima, no limite, e não foi nada demais. Porém, confesso que as pernas tremeram.

Além da galera do tow-in, a session reuniu surfistas que se aventuravam na remada.

Havia uma turma na água, alguns malucos, incluindo Lucas, Gabriel Medina e Jadson André, que estavam na remada, enquanto um pessoal ficava lá fora fazendo tow in.

Ficamos umas quatro, cinco horas lá no canal olhando, vendo a turma se atirar em ondas gigantes. Cada vez que vem alguém vinha numa onda grande, remava e fazia aquele tubo, a vibe no canal era como se fosse um gol! Todo mundo vibra, todo mudo aplaude, não importa quem seja, porque simplesmente existe um respeito máximo por aquele atleta que está ali desafiando a morte pra fazer aquela onda.

Quando vem uma série grande e a gente vê o jet-ski puxando um cara, todo mundo começa a vibrar, aí o cara vem descendo aquela onda numa velocidade maluca, passa pertinho da galera, faz o tubo… Todo mundo vai à loucura! Depois vem o cara com o jet vibrando muito também. É muito legal!

Para nós que somos velejadores, testemunhar a força da natureza, a potência do mar, nos dá a sensação de privilégio. Ver Teahupoo quebrando nessas condições foi demais, não só por estar gigante, mas por ser muito perfeita também, e é isso que faz ela ser tão famosa, venerada. Pela manhã, estava muito liso, estava impressionante, então, ver uma onda de 20 pés quebrando num mar assim… sei lá, eu achei que nunca fosse ver isso. Só me sinto muito agradecido de ter tido essa oportunidade.

A vibração era geral a cada onda surfada.

Ali, a vibração é muito legal, a interação com os atletas… A brasileirada quando passa sempre dá um alô, todo mundo numa energia muito boa. Acho que todo mundo fica contaminado por essa vibração do Taiti, que é um lugar muito especial, demais mesmo.

Agora, a expectativa fica para o campeonato e a torcida, claro, é para os brasileiros. O mar não vai quebrar nessas condições, mas tomara que os caras consigam desempenhar um bom surfe. A gente estará acompanhando de perto.

Pra gente que atravessou o Oceano Pacífico, o Taiti era parada obrigatória, e esse era um dos objetivos, testemunhar Teahupoo quebrando grande. E ainda em época de campeonato, com todo o Tour aqui, está sendo ainda mais incrível. Uma experiência única na vida!

Pra quem diz que vela e surfe não combinam, isso aqui está provando que não é bem assim, pois estamos aqui, com nosso barco, ancorados, depois de navegar muito, e estamos a um quilômetro de uma das ondas mais poderosas do mundo”.

Acompanha a viagem de Diego Maio pelo mundo no perfil @veleiro_unforgettable do Instagram.