Jeremy iluminado

Jeremy Flores dá show nos tubos de La Graviere e derrota Italo Ferreira na final do Quiksilver Pro France; é a primeira vitória do francês no quintal de casa.

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Jeremy Flores é campeão do Quiksilver Pro France.

Foram 13 anos de espera, mas finalmente o francês Jeremy Flores conseguiu fazer a festa no quintal de casa. Nesta sexta-feira (11/10), em fechadeiras de até 2 metros quebrando no beach break de La Graviere, o local do pico disputou a sua primeira final na etapa e superou o brasileiro Italo Ferreira.

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Muito encaixado nos tubos, Jeremy abriu o confronto com uma nota 9.67, levando a torcida ao delírio. Depois de esperar pacientemente no outside, o francês disparou de vez na liderança com 5.33 em um tubo intermediário, deixando Italo a 9.51 da vitória.

O brasileiro até apostou nas manobras aéreas, mas conseguiu sua melhor nota em um tubo de backside avaliado em 5.50.

De posse da prioridade, Italo passou a esperar por uma onda expressiva até os minutos finais. O potiguar até tentou completar um aéreo com rotação completa em sua última onda, já perto da areia, mas o dia era mesmo de Jeremy, que saiu da água ovacionado pela plateia.

Italo Ferreira fica com o vice-campeonato em La Graviere.

Emocionado, o atleta dedicou a vitória a Pierre Agnes, ex-CEO da Boardriders  que desapareceu no mar em Hossegor, em janeiro do ano passado, depois de seu barco, o Mascaret III, de 36 pés, ter sido encontrado inundado e vazio em uma praia da região. Grande incentivador de Jeremy e de outros atletas como o brasileiro Wiggolly Dantas, Pierre  trabalhou na Quiksilver por quase 30 anos e deixou três filhos. Ele era conhecido pelo amor ao oceano, principalmente pelo surfe e a pesca.

“Eu quero agradecer a todos os fãs que lotaram a praia hoje (sexta-feira) e torceram por mim, porque foi emocionante. Parecia um estádio de futebol a cada onda que eu surfava”, disse Jeremy Flores. “Dedico essa vitória também ao Pierre Agnes, que sempre me apoiou nos altos e baixos e certamente eu não estaria aqui se não fosse ele. E parabéns a todos os finalistas, especialmente às meninas, pelo show incrível que deram aqui hoje. Sinceramente, eu pensei que o dia que eu vencesse esse campeonato, me aposentaria. Mas, acredito que é cedo ainda para isso e certamente voltarei no próximo ano para tentar ganhar de novo”.

Antes desta edição do Quiksilver Pro France, ainda não havia sentido sequer o gosto de disputar as quartas de final no quintal de casa.

Desde a sua estreia no Quiksilver Pro France, em 2006, Jeremy nunca havia conseguido sequer chegar às quartas de final em casa. Seus melhores resultados haviam sido em 2011 e 2015, quando obteve o nono lugar.

O dia marcou também o melhor resultado de Italo no Quiksilver Pro France desde que começou a disputar o Tour, em 2015. Até então, a sua melhor performance havia sido no ano de estreia, quando ficou em quinto lugar.

“Estou muito feliz por ter feito uma final com Jeremy e parabéns a ele”, disse Ferreira. “Foi uma semana louca para mim e isso é dedicado ao meu tio, que faleceu há alguns dias, a vida é louca. Estou animado para ir a Portugal para o próximo evento”, finalizou o vice-campeão da etapa.

Jeremy Flores leva a plateia ao delírio.

Já o bicampeão mundial Gabriel Medina amargou o seu pior resultado na prova até hoje. De 2011 pra cá, o brasileiro havia vencido três etapas e conquistado dois vice-campeonatos. Os piores resultados eram as derrotas nas quartas-de-final em 2012 e 2014.

Apesar do nono lugar, Medina segue em situação bastante confortável no ranking. Medina agora computa 48.015 pontos, contra 45.730 do vice-líder Filipe Toledo. Nas duas últimas etapas do ano (Portugal e Havaí), ambos podem descartar duas derrotas na terceira fase (17º).

Com o vice-campeonato na França, Italo Ferreira ganhou uma posição e agora é quarto com 42.400 pontos, atrás ainda do sul-africano Jordy Smith. Italo terá de somar um 17º no ranking final do circuito, já que possui três derrotas na terceira fase e só pode descartar duas delas.

A vitória colocou Jeremy na briga pelo título mundial, mas com chances remotas.

Título mundial – A vitória no Quiksilver Pro France era o único resultado possível para Jeremy Flores ter chances de conquistar o título mundial este ano. São remotas, mas entrou na lista dos nove que, matematicamente, ainda podem ser o campeão da World Surf League em 2019. Os principais candidatos ao título são os brasileiros Gabriel Medina e Filipe Toledo. Medina lidera a corrida pelo tricampeonato com 48.015 pontos, contra 45.730 de Filipe.

A lista dos nove concorrentes prossegue com o sul-africano Jordy Smith em terceiro lugar com 43.515, Italo Ferreira, agora em quarto, com 42.400, seguido do norte-americano Kolohe Andino, com 41.250, do japonês Kanoa Igarashi, que tem 35.430, o australiano Owen Wright, com 34.780, o havaiano John John Florence ainda com chances, com 33.220, mesmo estando contundido sem competir desde o Oi Rio Pro em Saquarema, e a relação é encerrada agora pelo francês Jeremy Flores com 31.450, tirando o nono lugar do australiano Julian Wilson, vice-campeão mundial no ano passado e que já está da briga do título de 2019.

Para alcançar a liderança do ranking na próxima etapa, Italo precisa chegar no mínimo à final em Peniche e torcer para que Medina caia antes das oitavas.

Liderança em Portugal – Já a disputa pela lycra amarela do Jeep Leaderboard no MEO Rip Curl Pro Portugal, ficou restrita aos Top 5 do ranking. Agora, começam os descartes do pior resultado de cada atleta e Medina conseguiu uma vantagem de uma fase a mais para Filipe Toledo. Na França, essa batalha entre eles era fase a fase, mas em Supertubos, Filipe já precisa chegar nas quartas de final para superar a pontuação atual do líder.

O sul-africano Jordy Smith só consegue isso se chegar nas semifinais, desde que Gabriel Medina não passe da terceira fase em Portugal. Se Medina avançar para as oitavas de final, por exemplo, Filipe já terá que ser semifinalista e o sul-africano precisa vencer o campeonato. Será assim para Italo Ferreira também, com a diferença de que o potiguar já necessita chegar na final para ultrapassar os 48.015 do Medina. E ele já mostrou que pode, pois é o defensor do título do MEO Rip Curl Pro Portugal. Já para Kolohe Andino, só interessa a vitória e Medina não passar da terceira fase, além de depender dos resultados dos outros três que estão à sua frente.

Jeremy e Italo no pódio.

Resultado do Quiksilver Pro France 2019

1 Jeremy Flores (FRA)
2 Italo Ferreira (BRA)
3 Jack Freestone (AUS)
3 Leo Fioravanti (ITA)
5 Ryan Callinan (AUS)
5 Marc Lacomare (FRA)
5 Kolohe Andino (EUA)
5 Adrian Buchan (AUS)

Top 10 do Championship Tour Masculino 2019

1 Gabriel Medina (BRA) 48.015
2 Filipe Toledo (BRA) 45.730
3 Jordy Smith (AFR) 43.515
4 Italo Ferreira (BRA) 42.400
5 Kolohe Andino (EUA) 41.250
6 Kanoa Igarashi (JPO) 35.430
7 Owen Wright (AUS) 34.780
8 John John Florence (HAV) 33.220
9 Jeremy Flores (FRA) 31.450
10 Julian Wilson (AUS) 29.525