Polêmica no Peru

CBSurf aponta erro de julgamento no PASA Games que pode custar a vaga de Phil Rajzman nos Jogos Pan-Americanos de Lima em 2019.

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Phil Rajzman teve somente a nota do primeiro drop divulgada na bateria, ao contrário dos outros competidores.

Uma sequência de falhas pode ter resultado na eliminação do bicampeão mundial de longboard Phil Rajzman na última sexta-feira (7), no PASA Games 2018, os Jogos Pan-Americanos de Surf realizados em Punta Rocas, Peru.

O brasileiro chegou à semifinal contra Lucas Garrido, Robert Ferrer e Surfiel Gil e teria seguido rumo à disputa do terceiro título do evento se não fosse protagonista de erros graves de julgamento, conforme postou no Instagram (veja abaixo).

Phil surfou cinco ondas e teve somente a nota do primeiro drop divulgada na bateria, ao contrário de todos os outros competidores. Ao sair da água, já com a derrota anunciada, ele percebeu que os atletas estavam indignados com o resultado e pediu para conferir as notas.

O brasileiro tinha uma nota 8.17 na segunda onda e precisava de 5.06 para passar para a final. A onda que seria a da virada começou com um hang ten logo no drop e levantou a torcida na areia.

No entanto, a nota dada pelos juízes para sua melhor onda foi 4.50, insuficiente para que ele seguisse na competição.

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Uma explicação sobre o erro técnico que a @panamericansurf cometeu em minha bateria, para vocês que me acompanham e dão o maior incentivo nas competições, mas não entenderam o que aconteceu ontem durante os jogos Pan-Americanos de surf aqui no Peru, evento que valia vaga para os jogos Pan-Americanos multiesportivos lima 2019. Das 5 ondas que surfei na bateria, apenas a primeira foi divulgada 4,67 (primeira onda a cima). Sem divulgação de nenhuma outra nota, o resultado final após bateria foi minha derrota. Sai da água triste pelo resultado mas tranquilo, perder faz parte da competição. Foi quando percebi que atletas de todos os países e público presente começaram a questionar o resultado. Pedimos a papeleta de notas para entender meu somatório e descobrimos que havia algo errado, eu havia feito um 8,17 em minha segunda onda (segunda onda a cima), mas minha última onda (terceira onda a cima), que era muito superior à primeira(4,67) e possivelmente superior a segunda(8,17), foi julgada absurdamente baixa, 4,50 quando eu precisava de apenas 5,06. Ao questionar o diretor de provas, descobrimos que minha onda foi julgada pela metade, pois só havia uma câmera oficial registrando as baterias e minha onda só tinha sido filmada pela metade pela câmera oficial do evento. Erro técnico da @panamericansurf que pelas regras oficiais da @isasurfing deveriam ter 4 câmeras para registrar os 4 atletas dentro da água, essas câmeras servem para que os juízes tenham o recurso de replay e possam comparar as ondas entre os atletas. Acontece que a @panamericansurf só tem 1 câmera registrando a competição contrariando as regras da @isasurfing. Prontamente apresentamos essas imagens a cima feitas pelo @alandonato1 com minhas 3 ondas completas e o erro foi prontamente reconhecido pelo chefe dos juízes. Porem, o mesmo me informou que pelas regras da @isasurfing, não era permitido alterar o resultado após o mesmo ter sido anunciado oficialmente além de não ser permitido o uso de imagens não oficiais como prova. Assim, o atleta do Peru acabou sendo beneficiado e garantiu a vaga na final e eu perdi uma grande oportunidade de ter garantido a minha vaga nos jogos 2019.

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A contestação foi unânime entre os torcedores, atletas e a CBSurf, que protocolou um protesto formal para análise de vídeo da onda. O pedido de revisão é um processo válido pelas regras da ISA (International Surfing Association) e todas as ondas devem ser filmadas durante a bateria para evitar que um atleta seja prejudicado por falha humana no julgamento.

Acontece que, sem cumprir a regra, a organização não possuía a onda do brasileiro filmada desde o início e, mesmo afirmando que teriam subavaliado a onda, não puderam voltar atrás.

Representante da CBSurf, Rosaldo Cavalcanti lamentou o episódio e afirmou que a entidade fará uma notificação formal à ISA.

“O que aconteceu foi uma falha tecnológica. A organização da PASA deveria ter quatro câmeras disponíveis para o replay dos juízes, porque se tem quatro surfistas na água, pode acontecer de surfarem ondas seguidas e eles precisam de todas as câmeras. O problema é que eles não tinham todas as câmeras e só filmaram metade da onda do Phil”, diz Cavalcanti.

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Brasileiro e CBSurf vão enviar uma notificação informal à ISA.

“A gente tinha a onda inteira, mas eles não aceitaram porque a regra não permite voltar a nota sem as imagens oficiais do replay. Isso demonstra uma falta de preparo da organização para um evento tão importante que decide uma vaga no Pan-Americano. Realmente foi um erro. Os próprios head judges admitiram que a onda valia mais, porém, a regra limitou nosso protesto. Agora, vamos fazer uma reclamação pra ISA para que eles não permitam mais eventos desse grau de importância sem as câmeras e vamos pedir que a regra mude e que eles considerem as imagens dos atletas, caso elas realmente provem o que está sendo contestado. É uma pena que isso tenha acontecido”, acrescenta Rosaldo.

O bicampeão mundial de SUP, Caio Vaz, acompanhou de perto a situação. O brasileiro estava se preparando para sua bateria, que começou logo depois de o evento confirmar que não voltaria atrás da decisão.

“Foi muito triste. Eu tinha uma bateria logo depois e entrei desanimado na água porque esses erros acabam fazendo com que a competição não seja justa. E na bateria do Phil isso ficou muito claro”, comenta Caio.

Para Phil, a chance de participar do Pan-Americano depende agora do resultado no Campeonato Mundial de Longboard da ISA, principal plataforma de classificação para o evento principal. Ele precisará ser o melhor das Américas para garantir sua participação.