Maya com moral

Maya Gabeira fala com exclusividade ao Waves sobre a sessão histórica em Nazaré e o recorde reconhecido pelo Guinness Book.

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Bruno Aleixo
Maya Gabeira desce onda maior de 20 metros na praia do Norte.

Recordista mundial do Guinness Book com a maior onda da história já surfada por uma mulher, a carioca Maya Gabeira conversou com o Waves sobre o feito homologado na última semana pela WSL (World Surf League).

Em janeiro deste ano, Maya dropou uma onda estimada em 20,72 metros (68 pés) na praia do Norte, Nazaré, Portugal, colocando seu nome no livro dos recordes e também na história do surfe em ondas grandes.

Em agosto deste ano, Maya chegou a mobilizar as redes sociais para pedir que a WSL certificasse o recorde mundial de maior onda já surfada por uma mulher.

A entidade acatou o pedido da brasileira, e também anunciou a inclusão da categoria Women’s XXL Biggest Wave (Maior Onda Feminina) no Big Wave Awards, o Oscar do surfe de ondas grandes.

Qual é a sensação de cravar esse recorde depois de tanta insistência em Nazaré?

Poder dizer que eu surfei a maior onda já surfada por uma mulher é um sonho realizado, com certeza, ainda mais em um lugar como Nazaré, onde eu já tenho uma história, uma experiência que foi muito desafiadora.

Quando Nazaré entrou no esporte, no radar, eu acho que ficou certo e claro para mim que aquele era o lugar onde eu poderia realizar esse sonho. Mas, depois do acidente foi uma grande dúvida, tive muitas lesões, então foi uma grande superação, tanto profissional, quanto pessoal.

Qual foi mais difícil, descer aquela montanha maior de 20 metros ou fazer que a WSL certificasse o recorde?

Descer a onda, claro! Mas o desafio de registrar o recorde também foi duro e um pouco estressante (risos)!

O que você acha que esse seu feito pode representar para o surfe feminino? E como vê a WSL igualando premiações e colocando a categoria Maior Onda no BWT?

Espero que incentive as outras meninas/atletas. Achei uma iniciativa muito incrível, e uma forma de liderar um movimento importante no esporte.

Qual a sua relação com Nazaré?

Eu sonhei com esse recorde por muitos anos, mas era difícil para mim entender onde ele poderia ser quebrado. Quando Nazaré entrou no esporte, no radar, eu vi o potencial das ondas daqui, e ficou claro para mim que aquele era o lugar. Desde a primeira vez que eu vim para cá, eu me apaixonei pela cidade, pelas pessoas, e é onde estou vivendo até hoje.

WSL / Pedro Mestre
Brasileira crava seu nome no cobiçado Livro dos Recordes.

A temporada no Hemisfério Norte vai começar agora. Além de Nazaré, tem algum outro pico em mente nestes próximos meses?

Não tenho. Mas estou convidada para o Big Wave Tour que inclui Mavericks e Jaws.

Quem são as pessoas que te ajudaram a cravar esse recorde, mas não aparecem tanto na grande mídia.

Eric Rebiere, Sebastian Steudtner, Dr. Rade (Spartamedic), além da nossa equipe toda: André, Nuno Dias, Axel Haber, Miguel Moreira e Lino Arebiri.

Como é levar ao lado de Rodrigo Koxa a bandeira brasileira para o Guinness Book?

É um momento bem especial. Temos os dois recordes em casa, mas isso é resultado de vários big riders brasileiros. Sempre tivemos atletas de ponta nessa modalidade.

Quais os teus próximos objetivos quando o assunto é ondas grandes?

Quero continuar evoluindo sempre.

Maya durante cerimônia de premiação do WSL Big Wave Awards em abril deste ano na Califórnia.

Mande um recado para a galera do Waves que te acompanha nos desafios em busca das maiores ondas do planeta.

Agradeço muito o apoio de todos, desde sempre! Muito obrigada!