Laje volta à ativa

Ondulação pesada atrai big riders às desafiadoras ondas da Laje da Jagua, em Jaguaruna (SC).

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Com a entrada de mais um swell no sul do Brasil, as atenções na última semana voltaram-se novamente para o big surf na Laje de Jaguaruna (SC). Sempre que o gráfico cresce, surfistas de ondas grandes de vários cantos do País ficam de olho na possibilidades da Laje mostrar mais uma vez o seu potencial.

Desta vez, a trip organizada pela Atowinj (Associação de Tow-In de Jaguaruna) recebeu o big rider Rodrigo Koxa, recordista mundial da maior onda surfada no planeta. Além dele, estiveram na barca André Paulista, Fabiano Tissot, Carlos Ilha, João Schimitz, Pepe Gomez, Plínio Cruz, Fábio Mia, Marcos Moraes, Lucas Gonzaga, Mateus Gonzaga, Gustavo Nogueira, Luiz Casagrande, Humberto Etges, Vinícius dos Santos, Laurin Serra, Flávio Jardim e eu (Thiago Jacaré).

Nos cliques ficaram Sebastian Rojas, Rafa Shot e Diego Balestroe na lancha Marcos Vinicius. Equipe organizada, só restava partir para o ataque. Chegando ao pico, alguns caíram na remada e outros preferiram o tow-in. As ondas não estavam do jeito, mas foram suficientes para a galera realizar um bom treino.

Fabiano Tissot desbravou o pico pela primeira vez de foilboard e surfou boas ondas com o novo equipamento. Plínio Schimitz, local de Jaguaruna, há anos sem pegar a Laje, voltou novamente para a água, o que foi uma das grandes emoções do dia. Plínio passou por um grande susto ano passado, quando quase perdeu a vida por causa de uma infecção bacteriana sinistra. Quem presenciou toda sua trajetória nessa batalha se emocionou ao ver o amigo de volta no surfe. Plínio rebocou, surfou e tomou algumas vacas, saindo do pico amarradão.

Uma galera ficou um bom tempo remando. Destaques para as ondas de Mia e Baiuka, que permaneceram boa parte da queda remando na esquerda. Começamos o surfe nela e logo em seguida a direção da maré mudou, deixando a direita mais desafiadora.

Koxa estava com a prancha no pé e surfou boas ondas. Apesar de suas melhores não terem sido registradas, lembro de uma que lancei ele por trás do pico e quando olhei de cima a bancada estava totalmente exposta. “Jaguaruna tem um potencial incrível, acredito que em um grande swell a Laje pode receber as maiores ondas que encontraremos no Brasil”, diz Koxa.

Puxei uma galera e surfei algumas ondas. O tubo da Laje talvez seja um dos mais difíceis que já vi, além de tudo é muito perigoso, pois quando a onda chupa, seca toda bancada ficando quase toda exposta. Foi um dia de muitos caldos e muitas lesões.

Quando estava rebocando novamente o Koxa, vi vários tubos alucinantes, alguns do Paulista, que para mim é o cara que mais domina a direita da Laje, e um animal de Marquito. O Uruguaio Pepe Gomez, que veio para conhecer a Laje pegou altas. Ficou amarradão com a onda e levou uma vaca que o jogou direto para o hospital após sofrer uma séria lesão. “Já tinha sofrido caldos pesados assim em Mavericks, mas não imaginava que essa Laje seria tão pesada assim”, revela Pepe Gomez.

Gustavo Nogueira, grande parceiro da Atowinj, foi um dos que mais surfaram. Cada sessão que realiza na Laje fica amarradão de saber que perto da sua casa existe esse pico. Gustavo foi um grande amigo que João Capilé me apresentou e que veio para ficar no time. Vinícius dos Santos também fez a cabeça e surfou boas ondas em seu primeiro tow-in da vida. Finalizamos a sessão com um dia irado em águas brasileiras!

Agradecemos a Deus pelo dia maravilhoso e por ter nosso amigo Plínio de volta ao surfe de ondas grandes. Esse foi nosso maior orgulho do dia. No final demos um grito de guerra em memória a Zeca Scheffer, grande desbravador do pico.