Vinho, croissant e altas ondas

Leonardo Sanguitam percorre as perfeitas condições da região de Hossegor, considerada a meca do surfe francês.

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Famosa pelos beach breaks e bastante frequentada em agosto, época em que rola a etapa do Championship Tour, a praia de Hossegor, sudoeste da França, não costuma ser muito lembrada nos outros meses do ano pelos brasileiros. Talvez por ser um destino bastante frio fora do verão ou por uma questão econômica, já que o Euro está bastante valorizado em relação ao Real.

Fato é que a região dos Landes, no Atlântico Norte e onde está situada Hossegor, é um local encantador em qualquer época do ano. E não estou apenas falando de um local com uma das melhores opções culinárias do mundo ou ainda muito conhecida pela produção de vinho, mas sim pelo incrível potencial de surfe para todos os gostos que a região possui.

As condições da meca do surfe francês passam de ondas que constantemente estão maiores que 8 pés durante um inverno congelante, diga-se de passagem, a divertidas valinhas com água morna no verão.

Com uma extensão de areia abençoada, diversas bancadas se formam com as constantes correntes. O vento quando terral entra limpo já que não há construções ou prédios na maior parte dos picos.

Picos mais conhecidos em Hossegor:

La Sud Onda que quebra próximo ao molhe, mais no canto norte da praia. Geralmente com crowd bastante intenso de escolas de surfe, pois sempre está menor que os outros picos. Além disso, tem ondas mais cheias e fáceis, mas não menos manobráveis e perfeitas.

La Nord Onda um pouco mais rara e longe da praia. Geralmente ótima opção quando La Graviere está muito buraco. Trata-se de uma onda com um drop menos vertical, por isso recebe muito longboard e SUP. A onda é um verdadeiro triângulo e quebra perfeita para ambos os lados. Em dias grandes, gunzeiras vão para a água e o show é garantido.

La Graviere Pico mais famoso de Hossegor e onde acontece a maior parte dos campeonatos da WSL. Um dos beach breaks mais pesados da Europa em dias grandes, é tubular e exige experiência para passar por dentro dos rápidos canudos. Onda com força oceânica e que quebra muito próximo à areia. Em dias grandes pode haver muita corrente, mas, com certeza, na maré certa e com vento certo é um espetáculo de tubos cavernosos.

Le Culs Nuls Muitos franceses dizem ser uma onda mutante devido ao fundo que muda a todo o momento. Onda poderosa e tubular, mas que em dias menores se torna muito manobrável. Etapas do CT já rolaram no pico. Fato curioso: trata-se de uma praia de nudismo.

Hossegor ainda tem vizinhos com grande potencial como Capbreton e Seignosse, além de muitos outros beach breaks acessíveis pela praia a alguns metros de caminhada pela areia. É só escolher o pico e você pode ter algumas das sessões da sua vida por ali.

No último mês de abril, apesar de conhecido por ser um dos meses do ano com maior incidência de vento (principalmente maral), boas ondulações rolaram e pude presenciar algumas janelas de ventos mais fracos ou ainda terral em diversos dias.

Graças aos aplicativos de previsão, pude estar no lugar e na hora certa, já que por não haver morros ou picos protegidos, Hossegor é bastante sensível aos ventos e suas condições podem mudar drasticamente em minutos – para melhor ou pior.

Com uma atmosfera totalmente surfe, desde a calçada da fama com os pés de vários ídolos como Kelly Slater, Andy Irons e Mark Richards, até lojas e restaurantes com uma temática totalmente ligada ao esporte e ao mar, Hossegor traz uma experiência realmente única e inesquecível em estar em um dos locais que mais respira surfe no continente europeu.