México pela estrada

Projeto Rekombinando percorre o litoral mexicano em viagem recheada de aventura e ondas perfeitas.

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Ondas pesadas e perfeitas marcam a passagem do Projeto pelo México.

Ah, o México! Para nós um país a ser desbravado. Entramos na aduana já sabendo que não seria tão fácil pelas pesquisas que havíamos feito, mas naquela tarde ela estava calma, sem muita gente. Tudo parecia certo até negarem nosso “antigo” documento da kombi. Com ajuda de uns comparsas, provamos que o IPVA foi pago e nos liberaram 4 horas depois. Finalmente chegamos, Arriba!

Fomos direto para Salina Cruz, uma praia de clima desértico, onde ficamos hospedados no Oaxaca Surf Soul. Foi um momento único de descanso. Por lá o guia Jesus Camacho nos levaria para surfar, além do mais fazem as refeições, ou seja, não precisaríamos nos preocupar em fazer mercado, comida, limpeza, decidir qual praia ir, horários, etc. E assim foi por sete dias.

Pegamos uma ondas pela região, o principal spot foi Punta Conejo, onde só é possível chegar de 4×4, pois é necessário dirigir entre dunas e areias. A kombica também ficou descansando (risos). Sem muito tamanho fizemos uns surfes divertidos com longboard, biquilhas e monoquilha, direita longa com grande potencial.

Foi ali com o apoio do Oaxaca Surf Soul que fizemos a primeira oficina no México, em uma praia chamada nada mais que Playa Brasil. Se juntaram a nós 40 crianças de 5 a 12 anos. Foi uma grande oficina de arte e exposição, em que as crianças desenharam seus sonhos – assim como nós, que estávamos ali realizando o nosso naquela Kombi desde o Brasil, surfando e interagindo com comunidades.

Como sempre foi lindo de ver o sonho de cada criança que com atenção ouviu com muito carinho nossa aventura e se questionaram em um dia poder realizar cada sonho ali expressado em desenho e poder viajar o mundo com nós. Distribuímos frutas, camisetas e bonés do projeto.

Direitas amistosas de Barra de la Cruz.

Em seguida rumamos a uma praia não tão distante, Barra de la Cruz. Chegamos em um vilarejo simples onde nos hospedamos. E fomos conferir a onda. Foi amor à primeira vista, as direitas abriam longas e lindas em um costão árido com um cenário de cactos a nossa volta. Ali nos divertimos por alguns dias.

João e o Zé estavam felizes em seus longboards e surfaram muito, o João fazia anos que havia trocado a prancha por um SUP, e estava feliz em voltar ao longboard com maestria e inspiração para as gurias. A Gabriela estava feliz com as novas amizades e retomada do seus estudos com livros da educação brasileira, além de estar com o espanhol afiado e conhecendo culturas diversas.

Chegou o dia em que íamos conhecer a temida onda de Puerto Escondido, em Zicatela. Juntamos nossas tralhas e lá fomos nós pelas “carreteiras” conhecer esse local que em nossas mentes sempre estiveram presentes em fotos de amigos big riders, revistas e vídeos de surfe. O swell não decepcionou e pudemos sentir a adrenalina do lugar, cada onda que quebrava o chão tremia. Ficamos só curtindo a energia daquele swell, que entrou de uma maneira que as ondas fechavam mesmo. Alguns locais botavam para dentro do tubo de arrepiar a alma.

Deixamos a onda para os meninos e fomos surfar na encosta, que tem uma esquerda muito boa e com certa potência, chamada La Punta de Zicatela, mais tranquila com bastante crowd, foi a nossa opção. Puerto já é uma cidade maior das que estávamos acostumados a ficar, então saímos para passear na beira da praia, onde há lojinhas e restaurantes legais. Estávamos entusiasmados com a comida mexicana, toda aquela pimenta, tacos, nachos, burritos e o saudoso feijão.

A costa do México é enorme pesquisamos e conversamos com muitas pessoas para saber qual o melhor caminho. Os locais sempre nos falaram de estradas perigosas para mulheres e crianças, as que deveríamos evitar, íamos sentindo e observando os sinais. E nos virando como dava. Dirigir somente de dia, a rota escolhida foi ir para Zihuantanejo, onde nos hospedamos em uma pousada calma e aconchegante, sabíamos que ia rolar em na praia de Saladita um festival de longboard chamado Mexilog Fest, longboardes do mundo todo se reúnem em dias de muita diversão e dança em uma onda perfeita para tal, foi o que nos chamou para região.

Oficina de arte e exposição reúne 40 crianças em Playa Brasil.

Vem uma esquerda gordinha inacabável em um point break e pudemos sentir a energia inversa de Puerto a de pura felicidade “have in fun”, entramos no mar um dia antes de começar o festival e estavam todos treinando, sorrindo ,compartilhando ondas. Foi tão bom aquele sentimento dentro da água que chega a emocionar. Surfamos de longboard e monoquilha. O festival é perfeito, o lugar é lindo. Nos infiltramos e fizemos uma tarde de arte com tinta e educação ambiental com as crianças locais e do festival. Vimos nossas musas do longboard Leah Dawson and amigas e curtimos o balé nas ondas com entusiasmo.

Passando Saladita, para lá de um campinho de futebol, encontramos a onda dos nossos sonhos: El Rancho. Apenas um rancho na praia sem luz, um poço, todos os dias oferecem café da manhã, almoço e por ali é possível acampar. Pegamos altas esquerdas, point break fundo de pedras, todos os dias nos divertimos muito pela manhã antes de o vento soprar forte.

Ondas longas e boas para todo o tipo de prancha. Conhecemos umas meninas surfistas que estavam de motorhome, uma delas a Alea Kahan é americana reformou ela mesma a van dos sonhos e deixou linda demais, super feminina com geladeira azul calcinha e lençóis de cactos e sozinha com seu cãozinho Arroyo, estava pronta e desbravando a América, assim como nós fizemos ela vai fazer por partes a viagem.

Lendo o diário dos nossos queridos “proféssors” notamos que eles fizeram a rota pela Baixa Califórnia, pegaram o ferry boat e foram subindo, porém notamos que eles passaram muitos perrengues como furar o pneu e no deserto e sem ninguém para ajudar.

Nos informamos e falaram que as rodovias por lá continuavam bem ruins, que o certo é vir dos Estados Unidos de 4×4. Com o tempo corrido para chegar na Califa, resolvemos ir por dentro, por rodovias seguras, assim fizemos a fronteira pelo Texas. Com os vistos revisados, sem burocracia nenhuma com papéis e pagamentos para kombi entramos na terra do tio Sam, e seguimos pelas rodovias perfeitas do deserto do primeiro mundo, em um calor de 45 graus atravessamos o Alabama e rumamos à Califórnia. Querida Califa aí vamos nós…

Nesta etapa contamos com o apoio da Liquid Trips, SAL Garopaba, materiais da TRIS e Capelini Filmes. Para acompanhar as viagens do Projeto, acesse o site Rekombinando ou siga o perfil @rekombinando no Instagram.