Desert na linha

Guga Arruda coloca no trilho nas imprevisíveis e afiadas ondas de Desert Point, Indonésia.

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Há quem diga que Desert Point é a melhor onda do mundo. Existem muitas controvérsias, mas de fato é uma das melhores ondas do planeta. Posicionada no lado ocidental da ilha de Lombok, num lugar deserto e quente, fica uma bancada de coral, muito extensa que recebe as ondulações com bastante ângulo, formando esquerdas longas e tubulares.

Algumas ondas proporcionam mais de um tubo, podem ser dois, três e até mais, dizem que nos dias mais clássicos dá pra entubar a onda toda.

Não é sempre que rola, é uma onda difícil de caçar, a condição certa para acontecer inclui muitas variáveis, como vento, maré, correnteza, direção e tamanho de ondulação, para a magia acontecer, às vezes por 40 minutos, num crowd muito especializado.

A bancada é bem rasa e a onda não tem canal, corre do inicio ao fim, uma onda difícil para surfistas avançados, que gostam de lidar de perto com o coral e tem tempo para ficar esperando o fenômeno acontecer.

Esse ano cerquei as previsões e vi a chance se formando. Muito bem acompanhado dos meus parceiros de surfe Alexandre Ribeiro, Everton Luis e família, encaramos a empreitada, atravessamos a ilha de Bali, pegamos a balsa tarde da noite e chegamos pela manhã em Lombok.

A estrada pra Desert é pedregosa e o morro muito íngreme faz alguns motoristas penarem, mas com a excelente performance do piloto Xandinho, frequentador assíduo do pico, passamos com êxito os trechos mais difíceis para finalmente ver o azul do mar e a beleza das ondas.

O mar se transforma o tempo todo, tem hora que para tudo, tem hora que bomba, às vezes roda geral, às vezes não roda nada. É imprevisível, desafiador e misterioso.

Já estou esperando o momento de retornar e seguir o caminho da evolução, segurando a parede das ondas com as mãos e soltando nas horas certas, enxergando a onda, do jeito que ela é, rápida e sem pressa.

Foto de capa Alexandre Ribeiro