Potência capixaba

Uri Valadão enaltece o retorno do Circuito Brasileiro de Bodyboard ao Espírito Santo.

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Capixaba Bodyboarding Brasil 2018, Barra do Jucu (ES)Flávio Setúbal
Etapa na Barra do Jucu marca retorno do Espírito Santo ao calendário nacional.

Na última semana, tivemos a terceira etapa do Circuito Brasileiro no Espírito Santo. O campeonato foi irado e fiquei muito feliz em competir novamente na Barra do Jucu, depois de tantos anos.

O Espírito Santo estava fazendo muita falta no calendário nacional. Há muito tempo não tínhamos um evento desse porte por lá. O Estado sempre foi uma grande potência do bodyboarding, tanto em quantidade e qualidade de atletas como em estrutura, premiação e outros quesitos.

Lembro que antigamente os capixabas iam em peso às etapas do Brasileiro, uns 20 ou 30 atletas. E sempre fizeram bonito também no Mundial, mas de um tempo pra cá praticamente não vemos ninguém nas competições internacionais.

É muito legal ver que o esporte está se fortalecendo novamente no Espírito Santo. Houve uma etapa do Circuito Estadual na semana anterior ao Brasileiro e falaram muito bem do evento. Os circuitos de lá sempre serviram de exemplo para outros estados, e é importante que retornem com força total, pois vinham fazendo muita falta.

Uri Valadão exalta a importância do Estado para o bodyboarding brasileiro.

No geral, a etapa do Brasileiro foi muito legal. Tivemos uma boa estrutura, só as ondas que não colaboraram muito. Estavam bem complicadas, pequenas, quebrando na areia. Isso dificultava a conclusão das manobras e os juízes tinham trabalho para definir se a manobra foi completa ou não. Porém, vale ressaltar que o julgamento foi muito bom, mesmo com toda essa dificuldade.

Tivemos também alguns problemas com a transmissão ao vivo, novamente, mas são detalhes que precisam ser discutidos no fim do ano pra gente tentar melhorar no próximo circuito.

Um momento emocionante foi a homenagem dos organizadores da etapa a Edmar Rezende, ex-presidente da CBRASB. Edmar deixou belo legado, promovendo grandes circuitos, chegando a ter oito etapas na mesma temporada e em diversos lugares do Brasil. O troféu do evento no Espírito Santo levou o seu nome e isso foi muito merecido, por tudo o que ele fez pelo esporte.

A galera está voltando a ficar empolgada com o circuito e isso é muito importante. Durante muitos anos o Brasileiro foi considerado o melhor circuito nacional do mundo, e o mais disputado também. Todos os brasileiros que correm o Mundial costumam marcar presença, o que torna as disputas muito acirradas.

Sócrates Santana conquista segunda vitória consecutiva e coloca uma mão na taça.

O resultado não foi bom para mim. Fiquei em quinto lugar e acabei saindo da primeira posição no ranking (estava empatado com Sócrates Santana, que venceu a etapa e disparou na corrida pelo título).

Sócrates, que é meu parceiro de equipe na GT Boards, fez a festa pela segunda etapa consecutiva. Surfou muito na Barra do Jucu e é um tipo de onda que ele está bem acostumado, pois é local de Copacabana, que também oferece ondas curtas e próximas à areia. Está surfando muito e é bastante dedicado e talentoso. Vitória merecida!

Quero destacar também as performances do meu conterrâneo Gabriel Braga. Para mim, foi quem mais estava se destacando em termos de performance. Muito confiante e veloz, mesmo nas ondas curtas – obstáculo que ele superava com sua excelente remada e manobras aéreas bem fortes.

Gabriel estava entrando em todas as baterias como favorito e fiquei muito feliz com suas atuações. Pena que não conseguiu achar ondas com muito potencial na decisão para travar uma batalha mais acirrada com Sócrates, que achou logo duas ondas muito boas e já disparou na liderança.

Gabriel Braga chega à final com performances de alto nível.

Foi uma final com dois expoentes da nova geração e o ranking agora tem três atletas da GT Boards na frente (Sócrates em primeiro, eu em segundo e Gabriel em terceiro). Isso é muito irado. Os resultados estão acontecendo e as pranchas estão muito boas. Não tem como não puxar a sardinha para o meu patrocinador (risos).

Parabéns também a Luan Tavares, de Macaé (RJ), e ao meu conterrâneo Rômulo Ornelas, que foram campeões nacionais da Open e Master por antecipação. Nas categorias amadoras, a etapa foi dominada pelos capixabas, com Caio Reis, Rogerio Norbim e Juan Pedraza vencendo a Sub 18, Open e Master, respectivamente.

Entre as meninas, a promissora Luna Hardman (filha de Neymara Carvalho) venceu a Open pela segunda vez na temporada. E na Pro, que teve uma decisão nordestina, a potiguar Priscila Medeiros derrotou a cearense Patricia Setúbal.

Agora é esperar a quarta e última etapa do Brasileiro, no Ceará, de 15 a 18 de novembro. Na Pro masculina, Sócrates já está com uma mão na taça, mas enquanto eu tiver chance, vou acreditar. Vamos ver o que acontece, mas antes teremos a perna europeia do Circuito Mundial.

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