Presentes do mar

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Em minha vida como surfista, que acaba de completar 39 anos, ganhei muitos presentes do mar. Foram bençãos que transformam até hoje meu dia a dia. Só há pouco tempo percebi a riqueza de um dos belos presentes que há anos estava ali esperando para ser ativado e potencializado pelo tempo: a alegria do reencontro de grandes amigas de infância que aprenderam a surfar juntas! Há três anos aconteceu nosso primeiro reencontro.

Tudo começou numa pizzaria em Garopaba, onde nos encontramos para matar as saudades das que vivem hoje fora do Brasil. Claudia vive na Bélgica, Cris e Tanira na Flórida, Kita na Califórnia e Vana e eu ainda seguimos por aqui. Algumas seguiram surfando bastante e outras nem tanto. Depois de muitas caipirinhas na pizzaria, Claudia falou: “Gurias, vamos surfar juntas de novo?” Foi o sinal que precisávamos! Naquele ano mesmo, partimos todas para Portugal em nossa primeira surf trip. Juntas novamente depois de muitos e muitos anos separadas.

A vida de cada uma de nós tomou rumos completamente diferentes. Muitas com filhos, outras com profissões incríveis, que parecem nem ter espaço para um surfezinho em meio a tanta correria, mas é aí que tudo acontece. O surfe é mágico, tem a capacidade de nos transportar para um estado de espírito de paz e total prazer. É a comunhão total com a natureza. Desde então, nunca mais paramos. Apesar da vida atribulada de cada uma, não abrimos mão de marcar uma semana no ano para este reencontro, mesmo que para achar a data que encaixe para todas leve bastante tempo. É como um recreio, recarregamos as energias para seguir em frente, trabalhar, cuidar da família e tocar o dia a dia.

Primeira parada, Portugal.

Na chegada, todas super empolgadas com a viagem e curiosas sobre como seria esse reencontro depois de tanto tempo, afinal ninguém é a mesma pessoa de antigamente.

A data escolhida foi um pouco antes do verão, o que nos fez passar frio dentro e fora d’água, e com isso surgiu nosso primeiro decreto: frio e água gelada nunca mais! Mas foram dias lindos num hotel do Forte de Cascais, super estrutura, vista maravilhosa e com uma bela pixina! É assim que os portugueses falam piscina, e a diversão todo dia, quando voltávamos do surfe, era perguntar ao recepcionista o que tinha no corredor à esquerda do hotel, e ele sempre respondia: a pixina! Era só pra brincar e dar risada, coitado!

Por sorte, o mar não estava enorme, pois as ondas são pesadas por lá, e com algumas retomando o surfe, conseguimos nos divertir sem stress. Importante nessas viagens é ter um bom guia. Contratamos o Luiz e assim fomos aos lugares certos, nas horas certas. Luiz aguentou seis mulheres falando e rindo sem parar por uma semana, mas riu bastante também.

Portugal ainda oferece uma comida espetacular e bons vinhos a preços razoáveis, quando se fala em Europa. Este foi um dos pontos altos dessa trip: bons restaurantes, ótimos vinhos e muito papo gostoso, afinal estávamos nos reconhecendo após tantos anos.

O surfe nos uniu novamente e o WhatsApp jamais vai nos separar. A única a não participar da primeira surf trip foi Kita (Christiane Renck), que já estava de viagem marcada com o marido Bruce.